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Laboratórios de Criação Artística: quando jovens de Lisboa se tornaram narradores de Portinari

  • Foto do escritor: novaproartart
    novaproartart
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

No âmbito do projeto "Candinho: Uma Ópera para Todos!", desenvolveram-se os Laboratórios de Criação Artística, uma iniciativa que levou a ópera infantojuvenil de João Guilherme Ripper às escolas e comunidades periféricas de Lisboa, transformando alunos em criadores.

Ao longo do segundo semestre de 2025 e do primeiro semestre de 2026, o projeto foi ganhando forma nas salas de aula, nos ateliês e nos corredores de duas escolas lisboetas, num processo cuidado de encontro entre jovens e arte.


O que foram os laboratórios


Os laboratórios propuseram dois desafios distintos aos jovens participantes, ambos ancorados na obra do pintor brasileiro Cândido Portinari.

O primeiro, "Portinari Re-imaginado", convidou os alunos a conceberem, através do desenho, propostas de cenografia e guarda-roupa para a ópera, tendo como ponto de partida obras selecionadas do mestre brasileiro. Em articulação com os professores de desenho e trabalhos manuais, os jovens traduziram a linguagem pictórica de Portinari em possíveis elementos cénicos, num exercício simultaneamente de homenagem e de interpretação visual. Os trabalhos resultantes podem ser vistos na galeria de imagens abaixo.

O segundo desafio, "As Estórias nas Obras de Portinari", propôs um laboratório de escrita criativa: perante telas escolhidas do pintor, cada jovem tornou-se arqueólogo de narrativas, inventando as histórias silenciosas que habitam as figuras, os olhares e os cenários das pinturas. Os textos foram desenvolvidos em articulação com a disciplina de Português. Os mais inspiradores serão publicados no programa de sala da ópera — e já podem ser lidos na íntegra através do documento disponível para download no final desta página.


Onde ocorreram


Os laboratórios tiveram lugar em dois agrupamentos escolares de Lisboa:

  • Escola Secundária Padre António Vieira, em Alvalade

  • Escola Básica das Piscinas, nos Olivais

A escolha não foi aleatória: ambas as escolas integram comunidades com as quais o projeto "Candinho" se propõe dialogar, levando a ópera a territórios onde esta arte raramente chega.


As obras que inspiraram a escrita


Nove obras de Portinari serviram de mote aos jovens escritores: Crianças Brincando (1940), O Circo (1958), O Lavrador de Café (1934), O Palhaço (1941), O Retrato de Dona Dominga e Baptista (1954), Menina com Trança e Laço (1958), Menino com Diabolô (1955), Sonho (1957) e Paisagem com Balão (1958). Telas que retratam a infância, o trabalho, os sonhos e o quotidiano rural — os mesmos temas que moldaram a vida do próprio Portinari e que a ópera "Candinho" coloca em cena.


Uma colheita de vozes


O resultado superou expectativas. Dos corredores da Escola Secundária Padre António Vieira chegaram textos de rara maturidade: Francisco Oliveira escreveu sobre um palhaço que aprendera a esconder a tristeza atrás da maquilhagem; Salvador Lopes recriou o momento em que o palhaço Beringela encoraja Candinho a desenhar o circo que não pôde ver; Margarida Alexandre imaginou um menino em luta contra o tempo; Duarte Rosa e Joana Soares mergulharam no retrato de Dona Dominga e Seu Batista para escrever sobre silêncios familiares. Da Escola Básica das Piscinas vieram histórias que partiram do universo circense para falar de liberdade, amizade e resistência — com destaque para a longa e ambiciosa narrativa de Afonso Abelho e Madalena Varanda, que reinventaram o regresso de Candinho a Brodowski em forma de conto.

Todos os textos estão reunidos no documento disponível para download abaixo.


Uma rede de parceiros


Este projeto não seria possível sem a generosa colaboração de um conjunto alargado de instituições e pessoas: o CCB – Centro Cultural de Belém, o Projeto Transforma o Teu Bairro (Olivais), a Fábrica do Braço de Prata, o MPMP – Movimento Patrimonial Pela Música Portuguesa, o Instituto Gregoriano de Lisboa, a Biblioteca Nacional de Portugal, a Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, Mafalda Cordeiro (orientação de Escrita Criativa), Nuno Esteves "Blue" e a ION.

O projeto conta com o apoio da República Portuguesa, através da DGArtes e da AIMA, no âmbito do Programa de Apoio em Parceria – Arte e Periferias Urbanas 2024.


O documento abaixo contém as obras escritas destacadas:


Pinturas feitas pelos estudantes no âmbito do Laboratório:


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